

ROMANOS
(Informações, de domínio público, pesquisadas e selecionadas de muitas publicações, adaptadas e reorganizadas por Walmir Vieira)
CURIOSIDADES E OUTRAS INFORMAÇÕES
A Epístola aos Romanos é a mais longa, profunda e rica das escritas pelo Apóstolo Paulo. Ela concentra a mais ampla exposição da mensagem do Evangelho de Jesus Cristo. Por isso, ela também é chamada de o Evangelho segundo Paulo.
Durante dez anos antes de escrever a carta (aproximadamente entre 47 a 57 d.C.), Paulo tinha viajado ao redor do mar Egeu, evangelizando. Igrejas foram plantadas nas províncias da Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia.
1. AUTORIA
a) Logo no primeiro versículo da Carta aos Romanos a autoria é declarada.
Romanos 1.1:
Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus.
b) Além dessa referência direta, detalhes biográficos presentes nos capítulos 1, 15 e 16 confirmam a autoria de Paulo de Tarso.
c) Os Pais da Igreja, nos primeiros séculos, reconheceram a autoria paulina de Romanos, entre eles: Policarpo (Bispo de Esmirna e discípulo de João), Irineu, Orígenes, Clemente de Alexandria e Tertuliano.
2. DATA DA ESCRITA
a) Romanos foi escrita quase no final da terceira viagem missionária de Paulo. Muito provavelmente, pouco antes de sua visita a Jerusalém. As maiores evidências apontam para os meses em que o Apóstolo ficou na Grécia (Atos 20.2,3).
b) A maioria dos estudiosos de Paulo data a Carta aos Romanos nos anos 57/58 d.C., durante a sua permanência na cidade de Corinto.
3. LOCAL DA ESCRITA
a) Vários indícios sugerem que foi redigida nos últimos três meses da estadia de Paulo em Corinto (At 20.2,3). A palavra Grécia que aparece nesses versículos se refere a Corinto, onde estava hospedado na casa de Gaio.
b) Destaco duas razões que justificam que Paulo teria escrito Romanos de Corinto:
· Estava prestes a viajar para Jerusalém (At 20.3), onde é relatado que Paulo permaneceu durante três meses na Grécia.
· Erasto (Rm 16.23) também viveu em Corinto sendo comissário da cidade para obras públicas e tesoureiro da cidade em várias épocas, mais uma vez indicando que a Carta foi escrita em Corinto.
4. ORIGEM DA IGREJA DE ROMA
a) O NT não nos diz como a igreja em Roma começou e se formou. Uma das hipóteses mais fortes é a seguinte: Nas primeiras décadas, após o retorno de Jesus ao Céu, o Livro de Atos registra o estabelecimento de muitas igrejas em todo o império romano, mas a igreja em Roma não é uma delas. No entanto, quando Paulo escreveu sua carta em 57/58 d.C., a igreja romana estava firmemente estabelecida.
b) Embora não possamos saber com certeza, é possível que os judeus romanos, que estiveram em Jerusalém no Dia de Pentecostes (Atos 2.10) e que ouviram o poderoso sermão de Pedro, no Dia em que o Espírito Santo foi derramado, foram impactados e reconheceram Jesus como o Messias prometido.
c) Naquele momento da história, as igrejas geralmente se reuniam em casas. Quanto maior a congregação, mais casas eles precisavam. Em suas saudações, Paulo cita até cinco igrejas domésticas separadas; provavelmente, havia ainda mais, em função da enorme cidade de Roma.
d) Paulo ainda não tinha visitado a igreja de Roma (Rm 1.8-13). As saudações específicas para alguns de seus membros se devem ao fato de que ele já os conhecia pessoalmente de outras regiões ou de quem ouvira falar por intermédio de outros que residiram em Roma, como Priscila e Áquila (At 18.1,2, 18 e Rm 16.1-16, 21).
e) Há muito, Paulo desejava visitar a igreja. Apesar de Paulo haver planejado por algum tempo visitar a maior cidade dos gentios, mesmo sendo “Apóstolo dos gentios”, um obstáculo após o outro o impedia, conforme relata Romanos 1.13.
5. COMO PAULO CHEGOU A ROMA
a) Quando Paulo deixou Corinto, planejava uma viagem rápida a Jerusalém para entregar as ofertas coletadas para os crentes de lá. De Jerusalém, ele iria para Roma (Rm 15.25-28).
b) Em Jerusalém, uma trama de assassinato de Paulo foi revelada. O tribuno romano enviou Paulo, sob forte guarda, para Cesareia (Atos 23.16-35).
c) Após dois anos de prisão injusta, invocando sua cidadania romana, Paulo apelou para César, já pensando que, com este apelo, iria para Roma e veria os membros daquela igreja.
d) Em meadas de 59 d.C., após uma longa e perigosa viagem de navio, enfrentando naufrágio e refúgio em Malta, Paulo chegou a Roma, conforme Atos 27 e 28.
e) Os crentes de lá souberam da chegada de Paulo e saíram ao seu encontro, na estrada. Paulo deve ter entrado em Roma acorrentado, mas a receptividade de seus irmãos e irmãs em Cristo renovaram-lhe as forças e o entusiasmo (At 28.11-16).
f) Durante dois anos (60 a 62 d.C.), Paulo pode receber os membros da igreja de Roma em sua casa, alugada por ele, que serviu como sua “prisão domiciliar”, vigiado por um soldado romano, enquanto aguardava seu julgamento. É possível que, nessas visitas recebidas, Paulo tenha também esclarecido alguma eventual dúvida quanto ao que escreveu na Carta, uma vez que ela já teria chegado a eles cerca de dois anos antes e circulara pelas casas onde a igreja se reunia.
6. COMPOSIÇÃO DA IGREJA DE ROMA
a) A igreja de Roma era composta por judeus e gentios. A maneira como Paulo escreve parece indicar que o grupo predominante na igreja de Roma eram os gentios, embora seja impossível determinar a proporção de judeus em relação aos gentios na composição dos membros (Romanos 1.5, 6 e 13 e 11.13).
b) Naturalmente, essa composição (gentios e judeus) gerou algumas polêmicas doutrinárias, que Paulo procurou equacionar já na própria Carta enviada antecipadamente e o versículo conclusivo pode ser o de Romanos 10.12:
Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam.
7. MOTIVAÇÃO E PROPÓSITO DA CARTA
Paulo tinha alguns motivos ou propósitos para enviar essa Epístola à Igreja de Roma:
1) Prepará-la para sua visita à Roma, justificando sua demora e antecipando seu ensinamento através da Carta. Ela apresenta sua Teologia ou convicções doutrinárias para que ficassem cientes de como cria e pensava a respeito da fé cristã, especialmente sobre a doutrina da Salvação. Daí tratar-se de uma Epístola rica de conteúdos doutrinários e de sólidos ensinamentos sobre como a vida cristã deve ser vivida.
2) Propor à Igreja uma parceria missionária para fazer da Igreja em Roma uma base para a evangelização da Espanha (Rm 15.22-24, 28). Para ele, o Oriente já estava evangelizado e era preciso atingir o Ocidente do império romano. Ele precisava do apoio financeiro da Igreja de Roma para essa empreitada. Ele escreve em Romanos 15.24:
“Espero visitá-los de passagem e dar-lhes a oportunidade de me ajudar em minha viagem para lá, depois de ter desfrutado um pouco da companhia de vocês”.
3) Ficar um tempo em Roma para ter comunhão com os crentes, como mostra o final do versículo acima. Ele desejava encorajá-los e ser encorajado por eles, além de pregar o evangelho em Roma.
Romanos 1.11.12:
Anseio vê-los, a fim de compartilhar com vocês algum dom espiritual, para fortalecê-los, isto é, para que eu e vocês sejamos mutuamente encorajados pela fé.
4) Pedir intercessões da Igreja a Deus por ele e pela expansão missionária. Para Paulo, a oração é muito mais do que uma atividade passiva. Ele viu a respostas das orações dos irmãos em seu ministério e lutas, dando-lhe direção, força e proteção divinas em momentos difíceis (Rm 15.30).
5) Promover a união entre os judeus e gentios. Ambos os grupos eram membros da Igreja de Roma. Pouco antes de Paulo escrever essa Epístola, os cristãos judeus, que haviam sido expulsos de Roma pelo imperador Cláudio (Atos 18.2), em 49 a.C., começaram a retornar para a cidade. Com a saída dos cristãos judeus, as congregações eram predominantemente de cristãos gentios. A volta deles pode ter suscitado tensões entre cristãos judeus e gentios. Os crentes gentios abraçaram sua liberdade em Cristo, mas os cristãos judeus lutavam para não se afastar de alguns costumes de sua cultura. Paulo encorajou os crentes de ambos os lados a parar de brigar sobre “opiniões” ou assuntos “discutíveis” (Rm 14.1) e colocar seus irmãos à frente de seus próprios desejos e a serem tolerantes em questões menores.
6) Como “Apóstolo dos gentios” (Rm 11.13), Paulo buscava integrar os conversos gentios à Igreja; da mesma forma, por ser judeu (Rm 11.1), também desejava que seu próprio povo compreendesse as Boas Novas da justificação, não pelo cumprimento dos ritos da Lei, mas pela fé em Cristo e graça de Deus. Ele promovia a união da Igreja ao ensinar que as doutrinas e bênçãos do Evangelho se aplicam a todos (Rm 3.21 a 4.25; 11.13 a 36; 14.1 a 15.13).
8. ALGUNS VERSÍCULOS E ENSINAMENTOS SIGNIFICATIVOS EM ROMANOS
1) Paulo mostra o problema de todos os seres humanos:
· Não há justo, nem um sequer (3.10);
· Todos pecaram e carecem da glória de Deus (3.23);
· O salário do pecado é a morte (6.23);
· A morte passou a todos os homens, pois todos pecaram (5.12).
2) Paulo mostra também o caminho de esperança.
a) Ele descreve o evangelho como “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (1.16).
b) Que os pecadores são “justificados gratuitamente, por sua graça” (3.24).
c) E que “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (5.8).
d) Informa que “o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (6.23).
3) A Carta anima os santos nas suas batalhas diárias contra a tentação e outras provações:
a) Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.... muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida (5.9,10).
b) Muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de ... Jesus Cristo (5:17).
4) Paulo afirma que todas as três pessoas divinas lutam para o nosso bem:
a) O mesmo Espírito intercede por nós (8.26,27).
b) Cristo Jesus...também intercede por nós (8.34).
c) Se Deus é por nós, quem será contra nós? (8.31).
5) A atuação de Deus em nossa salvação leva à conclusão vitoriosa de Romanos 8.37:
Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.
6) Mesmo reconhecendo alguns fatos complexos e difíceis de serem compreendidos pelos leitores (até hoje), Paulo declara sua confiança total na sabedoria de Deus em Romanos 11.33:
Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos.
OUTRAS CURIOSIDADES
9. Ao elaborar a carta aos Romanos, Paulo contou com a ajuda de um escrevente (amanuense, escriba) de nome Tércio, de Icônio. Tércio incluiu sua própria saudação aos membros da Igreja em Roma quase no fim da Carta. Rm 16.22:
“Eu, Tércio, que escrevi esta carta, também vos mando as minhas melhores saudações, como vosso irmão no Senhor”.
10. A Carta foi levada por uma mulher: a diaconisa Febe (Rm 16.1) da igreja de Cencréia, um porto grego a apenas três quilômetros a leste de Corinto, porto este de onde partiu para Roma. Em suas saudações, Paulo tece alta recomendação a Febe parecendo indicá-la como portadora da Carta. Se Paulo escreveu a Carta durante uma estada em Corinto, Febe teria parado em Corinto, a caminho de Roma, para buscá-la.
11. As mulheres ocupam um lugar de destaque na lista de saudações de Paulo em Romanos 16 e representam várias esferas da vida (solteiras, casadas e mães). As mulheres tiveram papéis significativos na igreja primitiva e são mencionadas nas diversas cartas paulinas. Na Carta aos Romanos, além da ênfase dada novamente a Febe (Rm 16.1,2), aparecem:
a) Priscila, a mestra e discipuladora (Rm 16. 3,4);
b) Maria, que trabalhou arduamente por eles (Rm 16.6).
c) Júnia, a prisioneira de Cristo (Rm 16.7),
d) Trifena e Trifosa (talvez irmãs, de nomes estranhos, pelo menos hoje) e Pérside, que trabalharam arduamente no Senhor (16.12).
e) A mãe de Rufo, cujo nome não é citado, que também foi mãe afetiva de Paulo (Rm 16.13).
12. Estudiosos apontam que esta mãe, citada acima, seria esposa do Simão Cirineu, que ajudou Jesus a carregar a cruz (Mc 15.21). Há quase 30 anos, Marcos havia escrito seu Evangelho, originalmente, para a Igreja de Roma. Ele citara Simão Cirineu, que foi constrangido pelos soldados romanos a carregar a cruz de Jesus; escreveu que ele era pai de Alexandre e de Rufo. Estes, na época da crucificação de Jesus, eram adolescentes. Na época de Paulo, já adultos convertidos, eram conhecidos da Igreja de Roma, bem como a esposa de Simão Cirineu. Ao ser obrigado a carregar a cruz de Jesus, mesmo, talvez, contrariado, levou Simão à sua própria conversão e de sua família, que morava em Roma. Simão já teria falecido.
13. As cartas de Paulo foram escritas em rolos de papiro. O papiro era formado a partir da retirada de tiras da planta Cyperus Papyrus, trançadas, coladas, prensadas e colocadas no sol para secar. As folhas de papiro eram coladas uma à outra, viabilizando escrever continuamente nelas. Eram enroladas em dois cabos de madeira, osso ou marfim, um pouco maiores que a largura da folha. A escrita era feita na medida em que o rolo sem escrita era desenrolado. O comprimento do rolo de papiro era de, no máximo, nove metros. A Epístola aos Romanos deve ter usado todo o rolo, pois é a mais extensa das cartas paulinas. A caneta tinteiro era, em geral, de bambu trabalhado e a tinta, uma mistura de fuligem, cola e água. Todo processo era tão complexo que era preciso um profissional habilitado para tanto (escriba ou amanuense). Para a leitura, utilizavam-se as duas mãos: uma desenrolava para ler e outra enrolava as partes lidas, ao mesmo tempo.
14. Alguns personagens da História Cristã marcados pela leitura de Romanos.
a) Agostinho de Hipona, vivia uma vida iniqua, mas era objeto de oração constante de sua mãe Mônica. Converteu-se ao Cristianismo em 386 d.C. ao abrir, aleatoriamente, Romanos 13.13,14 que o exortou a abandonar “as obras da carne” e “revestir-se do Senhor Jesus Cristo”. A partir daquele momento, toda a escuridão da dúvida se dissipou.
b) João Crisóstomo, considerado um dos maiores pregadores do século V, pedia que a Epístola aos Romanos lhe fosse lida em voz alta pelo menos uma vez por semana.
c) Martinho Lutero, monge Agostiniano, em seus estudos e palestras sobre Romanos, entre 1515 e 1516, foi levado à sua crítica ao Catolicismo de então e a uma renovação pessoal e teológica, inspirando-o a escrever, em 1517, as 95 Teses que desencadearam a Reforma Protestante.
d) John Wesley conta que, em 1738, na audiência do “Prefácio de Lutero à Epístola aos Romanos”, lido na Igreja de St. Botolph em Aldersgate Street, Londres, sentiu seu coração “estranhamente aquecido”, uma experiência de conversão, que é muitas vezes vista como o início de Metodismo.
15. Apesar de a Epístola de Paulo aos Romanos ter desempenhado um importante papel na história do Cristianismo, infelizmente ela tem sido, como alguém disse, “uma fonte de interpretações confusas, errôneas e maliciosas, mais do que qualquer outro livro bíblico”. Mesmo entre os primeiros cristãos, os escritos de Paulo eram considerados “difíceis de entender” e seus ensinamentos eram muitas vezes distorcidos e mal interpretados (2 Pedro 3.15,16).
16. ESBOÇO DO LIVRO
1. Saudações de Paulo e introdução pessoal (1.1-15).
2. A justiça de Deus para judeus e gentios (1.16,17).
3. A pecaminosidade universal da humanidade (1.18 a 3.20).
4. A Justiça de Deus para a justificação (3.21 a 5.21).
5. A graça reina através da justiça de Deus (cap. 6 a 8).
6. Deus demonstra sua justiça em relação a judeus e gentios (cap. 9 a 11).
7. A justiça de Deus compreendida e expressada na vida de seu povo (12.1 a 15.13).
8. Os planos de Paulo e as saudações finais (15.14 a 16.27).