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PRUDÊNCIA

“Prudência é saber distinguir as coisas desejáveis das que convém evitar.”

(Cícero)

Eu, a sabedoria, moro com a prudência, e tenho o conhecimento que vem do bom senso. 

Provérbios 19.20

 

Virtudes do Caráter

PRUDÊNCIA

 

Selecionado, adaptado e organizado por Walmir Vieira

 

          A prudência é uma virtude valiosa para nos ajudar a tomar decisões sábias em todas as áreas de nossa vida. Ela nos auxilia a minimizar erros, bem como tomar medidas preventivas para evitar problemas futuros.

          Ao ser prudente no dia a dia, tendemos a tomar decisões mais acertadas, consistentes com nossos valores e objetivos de vida. A prudência não nos deixa agir movidos pela emoção ou pressão, mas por uma consciência fundamentada e equilibrada.

 

1. DEFINIÇÃO E SIGNIFICADO DE PRUDÊNCIA

a) A palavra prudência é substantivo feminino do adjetivo prudente, que é usado para se referir a ambos os gêneros.

b) O termo, derivado do latim “prudentia” envolve previsão e sabedoria prática.

c) A origem etimológica reforça a ideia de que a prudência envolve uma combinação de inteligência, cautela e discernimento – habilidades necessárias para avaliar cenários complexos e agir com responsabilidade.

d) A palavra ‘prudência’ carrega consigo uma tradição que atravessa séculos, consolidando-se como uma qualidade indispensável para o ser humano que busca equilíbrio e bom senso.

e) Prudência é a virtude ou qualidade da pessoa que age com precaução, cautela, atenção e sensatez, para evitar erros, inconveniências e consequências ruins ou trágicas.

f) Ela nos habilita a discernir o que é bom e o que é mau, o que é certo e o que é errado, o que é adequado e o que não, para cada escolha.

g) Ela requer de nós que ponderemos os riscos e benefícios envolvidos em cada uma de nossas ações, antes de executá-las.

h) É ela que nos leva a avaliar as situações de forma realista e a tomar decisões com base em informações precisas e confiáveis, evitando excessos ou impulsividade.

i) A prudência é considerada, desde a antiguidade, uma das quatro virtudes cardinais da sabedoria. Juntamente com a justiça, a força interior e a temperança, a prudência serve de base para todas as outras virtudes.

·        A justiça nos leva a fazer o que é certo em relação aos outros;

·        A força nos ajuda a sermos corajosos e a resistir às tentações;

·        A temperança ou o domínio próprio nos permite controlar os excessos de nossos desejos;

·        A prudência nos ajuda a aplicar essas virtudes de maneira sensata em nossa vida cotidiana.

j) Para o cristianismo autêntico, ser prudente significa viver os ensinamentos de Jesus Cristo, agindo com amor ao próximo, humildade e respeito, e com discernimento espiritual. O exercício da prudência nos ajuda a evitar o pecado e a viver uma vida mais próxima de Deus e de Sua vontade.

k) A prudência é uma virtude que combina raciocínio lógico, empatia e intuição, facilitando escolhas mais acertadas, mesmo diante de situações de alta pressão emocional.

l) Gestores prudentes pensam antes de agir, ponderando os efeitos de cada decisão e buscando soluções equilibradas.

m) Portanto, pessoas prudentes não fazem as coisas atabalhoada, apressada e intempestivamente, antes, são precavidas e sensatas e decidem com paciência, equilíbrio e segurança. Se decidem agir, adiar ou cancelar a ação, o fazem com muita consciência e não movidas pelo medo.

O sábio de coração é chamado prudente, e a doçura dos lábios aumenta o ensino (Provérbios 16.21).

 

2. IMPORTÂNCIA E BENEFÍCIOS DA PRUDÊNCIA

a) A prudência nos ajuda a não tomar decisões impulsivas ou irracionais, que podem trazer consequências negativas.

b) A prudência nos ajuda a evitar correr riscos desnecessários, não cair em armadilhas e não tomar decisões com base em pressuposições e cosmovisão distorcidas, ou influenciadas por ideologias e preconceitos equivocados.

c) A prudência aumenta nossa capacidade de lidar com adversidades, evitando decisões precipitadas que podem piorar a situação.

d) Ela fortalece a nossa autoconfiança e autoestima, pois nos leva a refletir com mais profundidade para agir com mais segurança e responsabilidade.

e) Ela melhora a qualidade dos relacionamentos, pois decisões prudentes demonstram respeito e consideração pelos outros. 

f) Ela estimula o aprendizado contínuo, incentivando a análise de erros passados e o aprimoramento constante de nossas atitudes.

g) Ela nos ajuda a evitar julgamentos precipitados e a considerar todas as opções disponíveis antes de agir.

h) Por fim, e principalmente, ela nos ajuda a construir uma reputação mais confiável e respeitável, pois a prudência é uma demonstração de maturidade e sabedoria.

 

3. COMO DESENVOLVER A PRUDÊNCIA

          Algumas condições e posturas são necessárias para que a prudência seja mais eficaz, como:

 

3.1. Desenvolva o autoconhecimento

          Conhecer a si mesmo é fundamental para tomarmos decisões prudentes. Entender nossos pontos fortes e fracos; ter consciência de nossas habilidades e capacidades; e demonstrar humildade para reconhecer nossas limitações e fraquezas, cuidando para que nossas fragilidades não atrapalhem o exercício da verdadeira prudência.

 

3.2. Reflita bem antes de agir

          A prudência exige reservar um tempo para pensar antes de tomar decisões ou agir, especialmente quando a ação envolve mudanças e influencia significativamente nossas vidas. A reflexão profunda leva em conta as seguintes orientações:

a) Recorde as experiências passadas semelhantes, as decisões tomadas e as consequências geradas, tendo cuidado para não repetir os mesmos erros. Aprenda com os erros.

b) Relacione os benefícios que trarão e os riscos envolvidos, os argumentos prós e os contra. Pergunte-se: “O que pode dar errado se eu fizer isso?” ou “Qual será o impacto dessa decisão, a longo prazo?” Isso ajudará você a evitar decisões impulsivas e consequências negativas. Se os aspectos negativos forem muito maiores do que os positivos, especialmente os que são de peso qualitativos maiores, convém adiar a decisão, até que as condições favoráveis sejam maiores.    

c) Pondere as opções disponíveis e avalie a mais adequada para a situação.

Examinai tudo. Retende o bem (1 Tessalonicenses 5.21).

 

3.3. Aprenda a lidar com as emoções negativas antes agir, reagir ou decidir.

a) Pratique técnicas de relaxamento, como respiração profunda antes de decidir ou agir, quando possível.

b) Tome cuidado com a expressão: ‘siga o seu coração’, ou os seus desejos. Algumas coisas que você deseja são más, porque refletem uma natureza humana contaminada pelo pecado. Decisões baseadas somente no impulso do coração podem ser desastrosas. “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa” (Jeremias 17.9). Seguir apenas o que manda o coração ou a emoção pode nos conduzir ao erro e à infelicidade.

 

3.4. Peça a Deus, em oração, prudência e direção do Espírito Santo.

 

Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada (Tiago 1.5).

 

Senhor, mostre-me os caminhos da sua justiça, e ensine-me os seus caminhos (Salmos 25.8).

 

Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito (João 14.26).

 

3.5. Busque todo o conhecimento que puder

          Como o conhecimento é um dos mais importantes pilares da prudência, quanto mais informação tivermos, mais fundamentadas serão nossas decisões.

a) Leia, assista vídeos, ouça áudios e participe de cursos com assuntos afins à questão a ser decidida.

b) Peça conselhos de pessoas de confiança que viveram dilemas semelhantes e de especialistas no assunto. Diferentes perspectivas ajudam a tomarmos boas decisões. Evite pedir conselhos apenas às pessoas que concordam com você ou têm interesses pessoais na situação.

c) Esteja aberto às críticas construtivas e aos feedbacks honestos e bem-intencionados.

 

3.6. Faça o que tem que ser feito 

           Se sente segurança, à luz de sua experiência e das informações colhidas sobre o assunto; se, após meditar e orar, sente paz em seu coração e mente, então confie no seu discernimento e principalmente na direção de Deus e vá em frente.

 

Seja a paz de Cristo o árbitro em vossos corações (Colossenses 3.15).

 

Depois de meditar à luz do ensino da Palavra, e orar, havendo a paz de Deus em você, isto indica aprovação do justo Juiz, de que está no caminho de Sua vontade.

 

4. ALGUNS CUIDADOS EM RELAÇÃO À PRUDÊNCIA

a) Tudo em excesso, sem equilíbrio, mesmo as boas coisas da vida e até algumas virtudes, pode não ser bom. Apesar da importância e necessidade da prudência, ela, em excesso, pode ser desculpa para a insegurança, medo ou covardia. A prudência é uma virtude valiosa em quase todas as situações da vida, mas há momentos em que pode não ser adequada. Por exemplo, quando se trata de tomar riscos calculados ou fazer escolhas difíceis que exigem coragem, outras virtudes podem ser mais importantes do que a prudência (como a coragem).

 

Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? (Eclesiastes 3.16).

 Este versículo nos faz pensar que, muitas vezes, podemos destruir a nós mesmos e aos outros, por excesso de legalismo e deficiência de misericórdia e amor.  b) Além de ajudar a evitar os excessos e os erros, a prudência ajuda a moderar outras virtudes.

c) Embora a prudência minimize a possibilidade de falhas, ela não dá a certeza de que não haverá erro.

d) Ser prudente não implica em agir de maneira hesitante ou receosa, mas sim de forma consciente.

e) Ser prudente não significa ter medo de correr riscos, mas sim estar preparado para lidar com as consequências das escolhas feitas. Não significa ser covarde ou indeciso, mas sim ter a habilidade de tomar decisões baseadas no que é justo, verdadeiro e correto. Há pessoas que justificam seus medos ou covardia, protelando decisões, por alegarem prudência.

f) Ser prudente não se aprende da noite para o dia, mas é uma habilidade conectada à sabedoria, que se desenvolve ao longo do tempo, quando se quer e busca ser.

 

5.  A IMPRESCINDIBILIDADE DA PRUDÊNCIA EM ALGUMAS ÁREAS DA VIDA

          A prudência deve ser aplicada em quase todas as áreas e segmentos da vida, para que obtenham sucesso, como nas seguintes áreas:

 

5.1. Na manutenção da saúde espiritual (vida cristã)

          Para se ter saúde espiritual, a virtude prudência nos ajuda, prevenindo-nos de cairmos em decadência moral e espiritual. A Bíblia nos convida a adotarmos algumas ações de prudência para manter a vitalidade de nossa vida cristã. Entre vários imperativos bíblicos de alertas à prudência, destaco cinco essenciais:

 

a) Vigiai e orai! (Mt 26.41a)

          Jesus disse: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação”. Vigiar significa “observar, prestar atenção”. Vigiar implica em ficar alerta, o tempo todo, para evitar comportamentos negligentes, indolentes ou erráticos que podem nos levar a cair em ciladas ou ceder a tentações que abalarão nossa vida e fé em Cristo.

          A vigilância (vigiai) espiritual é necessária aqui e agora, para não sermos derrotados pelo pecado e pelo Maligno e, também, diante de Deus quando formos prestar contas de como administramos a vida, os recursos e os dons que Ele nos deu e de como consideramos a Sua vontade e a obedecemos.

          A oração (orai) é o recurso que Deus nos deu para apresentarmos nossas lutas e tentações a Ele e receber ajuda do Espírito Santo, para desenvolver a prudência espiritual e receber forças para resistir e não cair em pecado.

b) Guarda o teu coração! (Pv 4.23)

           Este imperativo nos ensina: “De tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, [grifo meu] porque dele procedem as fontes da vida”.

          Assim como nossa vida física depende de um coração saudável, nossa vida espiritual depende do cuidado com o nosso coração, entendido, especialmente no AT, como a fonte ou sede de nossos pensamentos, desejos e emoções, bons e ruins. Esse coração precisa ser controlado, pois, como nos alerta o profeta Jeremias, citado anteriormente, agora em outra versão: “o coração é mais enganoso que qualquer outra coisa, e sua doença é incurável. Quem pode compreendê-lo. Eu, o Senhor, esquadrinho o coração e examino a mente” (Jr 17.9,10).

          Guardar o coração significa filtrar tudo o que passa por ele, escolhendo os melhores desejos, influências e pensamentos e praticando-os de acordo com a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

c)  Viva pelo Espírito e não satisfaça os desejos da carne! (Gl 5.16)

          No NT, a palavra ‘carne’ é sinônimo da natureza humana decaída, pecaminosa, não redimida. Em Mateus 26.41b, depois de Jesus dizer “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”, Ele completa a verso dizendo: “o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca [grifo meu]”.

          A palavra ‘espírito’, neste verso, em letra minúscula, refere-se ao espírito humano, criado à ‘imagem e semelhança’ de Deus, que não deseja pecar, e a palavra ‘carne’ significa nossa natureza pecaminosa, a parte herdada da ‘imagem e semelhança de Adão’, que é fraca, suscetível a cair em tentação e inclinada a pecar.

          Com a nossa conversão ao Evangelho de Cristo, a ‘imagem e semelhança de Deus’ começa a ser restaurada, agora, com o recebimento do Espírito Santo de Deus, que nos guia a viver do modo que Lhe agrada,  trazendo-nos alegria e paz. No entanto, enquanto estivermos neste mundo, a luta contra a velha natureza (carne) prosseguirá; agora, com o auxílio do Espírito Santo, para produzir, não as obras da carne, mas o fruto do Espírito, se realmente desejarmos assim fazer.

Por isso, digo: vivam pelo Espírito [de Deus], e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contra o Espírito; o Espírito, o que é contra a carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam. Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza, devassidão, idolatria, feitiçaria, inimizades, desavenças, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções, inveja, embriaguez, orgias e coisas semelhantes a estas. Eu os advirto, como antes já os adverti: aqueles que praticam essas coisas não herdarão o reino de Deus. Entretanto, o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.

(Gálatas 5.16,17, 19-22)

 

d) Não dê lugar ao Diabo! (Efésios 4.27)

·        Na Bíblia, o Diabo é descrito como o adversário de Deus e de Seu povo. Ele se opõe aos planos de Deus e busca destruir a obra de Cristo e os filhos de Deus. Ele se disfarça em “anjo de luz” (2Co 11.14), com o fim de enganar.

·        A palavra para “lugar” refere-se metaforicamente a “oportunidade”, ‘chance’, ‘brecha’;

·        O Diabo é também chamado de Satanás, Maligno e outros títulos que revelam sua obra nefasta, como Acusador, Inimigo, Tentador, Pai da Mentira etc.

·        Sua missão é manter todos os seres humanos longe de Deus, principalmente os salvos, filhos de Deus, para não continuarem fazendo a vontade do Criador.

·        O Diabo conhece nossa natureza humana fraca (carne) e cria as condições necessárias para que a carne ceda aos prazeres momentâneos pecaminosos e às satisfações egoístas.

·        Nossa carne é que quer pecar e peca, o Diabo apenas cria as condições. Não podemos atribuir toda a responsabilidade ao Diabo quando cedemos à tentação. A decisão de pecar é nossa, por nossa falta de vigilância, de prudência.

·        O cristão, conhecendo sua natureza fraca e vulnerável e a missão do Maligno, precisa reconhecer que vive numa real batalha espiritual, sem trégua contra Ele e contra os desejos pecaminosos de sua carne.

·        Ao dizer “não deis lugar ao diabo”, Paulo nos alerta para a necessidade urgente de estarmos sempre vigilantes e prontos para resistir às suas artimanhas.

·        Feche todas as portas que possam dar acesso ao Inimigo em sua vida.

 

Assim, sujeitai-vos a Deus, mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.

(Tiago 4.7)

 

Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar. Resistam-lhe, permanecendo firmes na fé, sabendo que os irmãos que vocês têm em todo o mundo estão passando pelos mesmos sofrimentos.

(1 Pedro 5.8,9)

 

e) Não ame o mundo!

 

Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo - a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens não provém do Pai, mas do mundo. O mundo e a sua cobiça passam, mundo as aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.

(1 João 2.15-17)

·        Que mundo é esse que não devemos amar se Deus amou o mundo?

A expressão ‘mundo’ é a mesma que sempre traduz a palavra no grego Kosmos. O contexto em que ela estiver é que dará o seu sentido. Portanto pode ser:

1) O mundo da criação, o universo perfeito e lindo. Como não o amar e ser grato a Deus por ele?

2) A humanidade, os seres humanos. É neste sentido que Deus ama. 

3) O mundo do sistema pecaminoso, onde tudo é contrário a Deus, à Sua Palavra e a seus filhos fiéis.

 

Neste último sentido é que o Apóstolo João nos convida a não amar o mundo e o mundanismo. Não ameis aqui significa: “não acolheis com alegria”.

 

·        Por que não amar o mundo?

Porque TUDO desse mundo é mau, contra Deus e os Seus redimidos.

 

Pois tudo o que há no mundo – a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens não provém do Pai, mas do mundo. (1 João 2.16)

  

O que se destaca no mundo decaído?

1) Cobiças (concupiscências) da carne, desejos ou obras da carne. As tentações de dentro para fora: impulsos e desejos que gritam por serem satisfeitos. Esses desejos estão dentro de nós, estão no nosso coração enganoso. Obras da carne.

 

2) Cobiças (concupiscências) dos olhos (inveja, ciúme), que são tentações de fora para dentro. É a vontade de experimentar aquilo que agrada aos olhos ainda que seja proibido, ainda que não convenha.

 

Não porei coisa má diante dos meus olhos; aborreço as ações daqueles que se desviam; nada se me pegará (Salmo 101.3).

 

3) Ostentação dos bens (soberba da vida), que é a confiança nos bens materiais, riquezas e em nós mesmos, arrogantemente; é a ostentação, exibicionismo e narcisismo.

 

·        Como não amar o mundo?

1) Não nos tornando amigos dele

Infiéis, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus. (Tiago 4.4)

 

2) Não nos contaminando com ele ou nos envolvendo, sendo semelhantes a ele.

 

A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper (contaminar) pelo mundo. (Tiago 1.27)

 

3) Não nos conformando a ele, não nos amoldando ao mundo, tomando a sua forma.

Não se amoldem (conformem) ao padrão deste mundo.

(Romanos 12.2)

4) Não sendo cúmplices e culpados (condenados) com ele. “Quem se casar com o espírito deste mundo, achar-se-á viúvo da vida vindoura” - Agostinho de Hipona

 

5.2. Na gestão das finanças

          Quem administra suas finanças de maneira imprudente, arrisca-se a perder o controle dela e assumir dívidas acima de sua capacidade de pagá-las. Ser prudente ao gastar ou investir dinheiro ajuda a evitar dívidas ou a perder dinheiro. A prudência financeira é uma habilidade importante para quem deseja manter suas finanças em ordem e equilibradas.

          Algumas maneiras de aplicar a prudência nas finanças pessoais incluem:

a) Mantenha atualizado um orçamento mensal que registre a receita ou as receitas e todos os gastos ou saídas possíveis dentro da receita que definem os limites para as saídas mensais.

b) Priorize no orçamento os itens essenciais para a sobrevivência e o bem-estar dos moradores da casa, como o custo da residência (quando alugada ou pagando a parcela do financiamento imobiliário), de manutenção, de alimentação, o consumo de água, luz, telefone, gás, internet etc., o custo do condomínio e do carro (quando houver), o investimento na educação da família e os demais compromissos financeiros mensais, semanais e diários assumidos, sem esquecer de algum, por menor que seja.

c) Planeje, com antecedência, as compras ou aquisições necessárias de maior custo, seguindo uma lista de prioridades; destine uma reserva mensal possível para que possa ser viabilizada, no momento certo, com mais tranquilidade.

d) Evite compras por impulso, isto é, sem avaliar se são realmente necessárias ou urgentes, se poderiam esperar um pouco mais ou se é apenas pela promoção, ainda que não urgentes, e se sua condição financeira atual permite.

e) Se for realmente necessário e urgente, pesquise o preço em diferentes lojas antes de comprar.

f) Controle regularmente os seus gastos feitos com o cartão de crédito, como:

·        acompanhando se a soma de muitos pequenos parcelamentos está dentro do limite orçamento (geralmente, no máximo, 25% da receita);

·        sempre pagando a fatura integral do cartão, isto é, não apenas parte do valor total, muito menos o mínimo permitido, pois os juros sobre o valor não pago são tenebrosos e isso pode ser o início de um grande descontrole que se avizinha em sua vida financeira. O cartão só é uma boa forma de pagamento quando conseguimos quitar a fatura total do mês, sempre.   

          A prudência financeira permite que indivíduos e empresas construam saúde econômica sólida e sustentável.

 

5.3. Nos relacionamentos

a) Antes de tomar decisões que possam afetar seus relacionamentos, pense nas possíveis consequências. Considere como suas ações podem impactar as pessoas ao seu redor e tome decisões que sejam justas e respeitosas.

b) A forma como nos comunicamos, reagimos a conflitos e lidamos com as emoções de outras pessoas pode ser influenciada positivamente pela nossa capacidade de agir com prudência. Ao escolhermos nossas palavras e ações cuidadosamente, podemos cultivar relações mais saudáveis, duradoras e respeitosas.

c) Evite falar mal dos outros ou espalhar rumores, que podem ser infundados e que denigrem a reputação das pessoas. O prudente costuma não ser tido como fofoqueiro.

d) Seja empático. Busque entender o ponto de vista dos outros e ser respeitoso com suas opiniões, mesmo que não concorde com elas.

e) Escolha bem as suas amizades, mantendo por perto pessoas positivas e que agreguem valor à sua vida e seja prudente quando sentir que é hora de se afastar de uma amizade tóxica.

 

5.4. Na saúde física e emocional

a) Mantenha uma alimentação equilibrada em qualidade e quantidade, evitando processados, gordurosos ou com açúcar demais, dentro do possível.

b) Mantenha seu corpo hidratado, com pelo menos dois litros de água potável por dia.

c) Pratique exercícios regularmente, uma caminhada um pouco acelerada ou outra atividade que lhe agrade, integrando-a em sua rotina duas ou três vezes por semana.

d) Evite comportamentos que coloquem sua vida em risco demasiado.

e) Descanse adequadamente: certifique-se de dormir pelo menos oito horas por noite para garantir um dia produtivo.

f) Evite hábitos prejudiciais, como fumar ou ingerir bebida alcoólica em qualquer medida.

g) Obedeça aos prazos recomendados para exame dos órgãos essenciais do corpo. Faça checkups periódicos.

 

5.5. Nos posicionamentos políticos 

a) Evite posições extremistas, nem extrema direita, nem extrema esquerda. Incline-se para o centro, seja para um centro-esquerda ou centro-direita, sem extremismos, radicalismos, fanatismos.

 

Olhe sempre para a frente, mantenha o olhar fixo no que está adiante de você. Veja bem por onde anda, e os seus passos serão seguros. Não se desvie nem para a direita nem para a esquerda; afaste os seus pés da maldade.

Provérbios 4.25-27

 

b) Evite discussões políticas com amigos que pensam diferente. Muitas amizades acabam por diferenças políticas que o tempo mostrará serem absolutamente tolas. Prefira não conversar sobre política quando estiverem juntos. Não tente convencer a pessoa a reconsiderar sua posição, mais de uma vez. 

c) Não ‘idolatre’ nenhum líder humano, especialmente envolvidos em política partidária. Lembre-se que ele, como nós, é um ser humano falho e pecador; geralmente, tem outros interesses que não declara e que, talvez, não apreciaríamos se os conhecêssemos. Todos nós já nos decepcionamos e nos desiludimos com líderes que julgávamos maravilhosos, levando em conta aparência, discursos e conhecimento superficial deles, por quem chegamos a brigar com pessoas queridas.

É melhor buscar refúgio no Senhor do que confiar nos homens. É melhor buscar refúgio no Senhor do que confiar em príncipes [governantes).

 (Salmo 118.8,9)

‘Confiar’ aqui é entregar-se, seguindo-os, apaixonadamente, sem senso crítico. Não quer dizer que nunca devemos acreditar nas pessoas. Isso seria paranoico.  

d) Não nos deixemos persuadir facilmente por palavras bonitas, promessas fantasiosas e encenações emocionais. Tenhamos discernimento.

e) Na política, um líder prudente é aquele que apoia ou toma decisões ponderadas, pautadas na boa ética, conduzidas com integridade, respaldadas na Lei e que garantam o bem-estar do povo que governa ou representa. Mesmo que não seja um cristão, adote princípios de justiça e retidão, influenciados e cobrados por bons cristãos.

 

5.6. Outras áreas em que a prática dos princípios da prudência é fundamental

a) Na escolha da carreira profissional;

b) na escolha do cônjuge;

c) No trabalho;

d) Na escola;

e) No trânsito;

f) Nas redes sociais.

 

6. FRASES MARCANTES SOBRE PRUDÊNCIA

“Prudência é não dizer tudo o que se pensa, mas pensar em tudo o que se diz.” (Aristóteles)

“A coragem é filha da prudência, não da temeridade.” (Calderón de la Barca)

“Prudência é saber distinguir as coisas desejáveis das que convém evitar.”

(Cícero)

“Confiar desconfiando é uma regra muito salutar da prudência humana.”

(Marquês de Maricá)

“A beneficência é sempre feliz e oportuna quando a prudência a dirige e recomenda.” (Marquês de Maricá)

“Há muitas ocasiões em que a mesma prudência recomenda o aventurar-nos.” (Marquês de Maricá)

“Os velhos invejam a saúde e o vigor dos moços, estes não invejam o juízo e a prudência dos velhos; aqueles conhecem o que perderam, estes desconhecem o que lhes falta.” (Marquês de Maricá)

“A dissimulação algumas vezes denota prudência, mas ordinariamente, fraqueza.” (Marquês de Maricá)

“Quanto mais sublimes forem as verdades, mais prudência exige o seu uso; senão, de um dia para o outro, transformam-se em lugares comuns e as pessoas nunca mais acreditam nelas.” (Nikolaj Vasiljevič Gogol)

“Conservemos pela prudência o que adquirimos pelo entusiasmo.”

(Marie Jean Antoine Nicolas)

“Saber interpor-se constantemente entre si próprio e as coisas é o mais alto grau de sabedoria e prudência.” (Fernando Pessoa)

“A prudência e a paixão não se fizeram um para o outro; à medida que a paixão aumenta, a prudência diminui.” (François de La Rochefoucauld)

“A principal prudência consiste em desconfiarmos de nós próprios mais do que dos outros.” (Anne Lambert)

“Não há sorte nem desgraça; o que há é prudência e imprudência.”

(Baltasar Gracián)

“A prudência é a filha mais velha da sabedoria.” (Victor Hugo)

 

7. ALGUNS EXEMPLOS DE PRUDÊNCIA NA BÍBLIA

a) José, que soube interpretar os sonhos de Faraó e preparou o Egito para os anos de fome (Gênesis 41.33-36).

b) Abigail, esposa de Nabal, o tolo, que evitou um conflito entre seu marido e Davi ao intervir com sabedoria e diplomacia (1 Samuel 25.18-35).

c) Jesus, em uma parábola, elogia o homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha, destacando a importância de fundar a vida sobre princípios sólidos. Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha (Mateus 7.24).

d) Jesus, em outra parábola, exortou à prudência para que se calcule o custo de uma construção antes de iniciá-la, para ver se tem como terminá-la.

Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la? (Lucas 14.28)

 

 

8. MAIS VERSÍCULOS BÍBLICOS SOBRE A PRUDÊNCIA

 

Veja bem por onde anda, e os seus passos serão seguros. (Provérbios 4.26)

 

 

O insensato revela de imediato o seu aborrecimento, mas o homem prudente ignora o insulto. (Provérbios 12.16)

O homem prudente não alardeia o seu conhecimento, mas o coração dos tolos derrama insensatez. (Provérbios 12.23)

Todo homem prudente age com base no conhecimento, mas o tolo expõe a sua insensatez. (Provérbios 13.16)

 

 

O inexperiente acredita em qualquer coisa, mas o homem prudente vê bem onde pisa. (Provérbios 14.15)

 

O insensato faz pouco caso da disciplina de seu pai, mas quem acolhe a repreensão revela prudência. (Provérbios 15.5)

O sábio de coração é considerado prudente; quem fala com equilíbrio promove a instrução. (Provérbios 16.21)

 

Quem tem conhecimento é comedido no falar, e quem tem entendimento é de espírito sereno. (Provérbios 17.27)

 

Eu, a sabedoria, moro com a prudência, e tenho o conhecimento que vem do bom senso. (Provérbios 19.20)

Os planos bem elaborados levam à fartura; mas o apressado sempre acaba na miséria. (Provérbios 21.5)

O prudente percebe o perigo e busca refúgio; o inexperiente segue adiante e sofre as consequências. (Provérbios 22.3)

 

Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios. (Efésios 5.15)

 

Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se. (Tiago 1.19)

 

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NOTA. Esta síntese/resenha sobre a virtude PRUDÊNCIA não utilizou Inteligência Artificial (IA), mas tem a contribuição de diversos estudiosos, cujos conteúdos, já de domínio público, foram citados livremente e com liberdade pessoal do organizador em fazer as adaptações de acordo com o propósito do presente trabalho.

 

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