
NO PÊNDULO DAS OBRAS E DA FÉ
Então lhe perguntaram: “O que precisamos fazer para realizar as obras que Deus requer?” Jesus respondeu: A obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou.
João 6.28-29
Jesus sempre esteve pronto para responder a qualquer pergunta, como quando lhe disseram: “É lícito pagar imposto a César?” — uma questão de cunho político e claramente capciosa. Essa passagem é frequentemente usada para ilustrar a doutrina da sola fide (“somente fé”) no contexto protestante — que enfatiza que a fé em Cristo, e não as obras, justifica. Entretanto, a pergunta central no texto em destaque tem um forte teor religioso: “O que precisamos fazer...?” A multidão estava impressionada com os milagres — especialmente com a multiplicação dos pães e peixes — e buscava mais sinais visíveis, não necessariamente arrependimento ou fé (João 6:26). O ativismo religioso produz sensação de mérito e autossuficiência, mas Jesus, em sua resposta, não utiliza o verbo fazer, e sim o verbo crer. Charles Spurgeon afirma: “A obra de Deus em nós começa com fé, continua com fé e termina com fé.” Talvez você já tenha feito essa pergunta, desejando agradar mais a Deus por meio de esforço próprio. Essa mentalidade revela como o ser humano tende a acreditar que Deus se agrada mais do esforço humano do que da confiança sincera. Podemos dizer que aqui está lançada a diferença entre judaísmo e cristianismo, ilustrada no contraste entre Marta e Maria. J. C. Ryle acrescenta: “A fé é o trabalho mais difícil do homem porque exige que ele abandone a confiança em si mesmo.” O homem pergunta: “O que devemos fazer?” Jesus responde: “Acreditem em Mim.” Assim, entendemos que a obra essencial não é fazer, mas crer nEle como o enviado do Pai. Senhor Deus, a instrução do Mestre ainda ecoa hoje — nada mudou. Capacita-nos com mais fé, para que assim operemos as obras que vêm de Ti. Amém.
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ELP
