
MANANCIAL VS CISTERNA
“Porque o meu povo cometeu dois males: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rachadas, que não retêm as águas.”
Jeremias 2.13
Jeremias é o profeta da denúncia — aquele que não suaviza o pecado nem se omite diante da apostasia do povo de Deus, o povo da aliança. Ele recebeu autoridade diretamente do Senhor, tanto para destruir quanto para edificar. A metáfora das cisternas rotas, usada por ele, continua poderosa até hoje: representam as religiões dos homens, que não contêm graça nem satisfazem a sede da alma. Somente Cristo é o verdadeiro manancial de águas vivas. A. W. Tozer associava essas cisternas à idolatria interior, especialmente ao orgulho espiritual e à confiança em dons ou ministérios, em vez da dependência do Deus vivo. Ele afirmou: “O coração humano é uma fábrica de ídolos. Qualquer coisa que se torne o centro da nossa confiança é uma cisterna — e todas as cisternas estão rachadas.” Imagine o esforço de escavar uma cisterna em solo pedregoso, canalizar água com dificuldade, fazer todo o trabalho com expectativa — e, depois de meses, descobrir que a cisterna está vazia. Que decepção profunda! Essa é a imagem espiritual do investimento em caminhos que não têm Deus como fonte. Mas, afinal, o que significa espiritualmente uma cisterna rota? Podemos identificar quatro causas principais: 1. Autossuficiência (orgulho): quando a pessoa passa a confiar em si mesma e não mais em Deus, o orgulho trinca seu interior. 2. Pecado não confessado: o erro contínuo e escondido vai corroendo silenciosamente as bases da alma. 3. Religião sem relacionamento: práticas exteriores sem vida interior produzem cisternas decorativas, mas completamente secas. 4. Apego a ídolos modernos: sucesso, dinheiro, aparência, influência, controle, prazeres — tudo que ocupa o lugar de Deus falha em sustentar a alma. Em contraste com essas fontes falhas, a Palavra de Deus nos exorta em Hebreus 10:23: “Retenhamos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel.” Diferente das cisternas rachadas, somos chamados a firmar a esperança em Deus com convicção, mantendo viva nossa confissão, porque Ele é fiel. Aquele que nunca cresce ou não progride espiritualmente pode ser comparado a uma cisterna vazia — alguém que, por mais que pareça estar preparado por fora, nada retém por dentro. Concluo com esta verdade: a maior rachadura espiritual ocorre quando o coração troca Deus pela criatura, o mananial pela cisterna, a graça pelo esforço humano. Amém.
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ELP
