
PARÁBOLA DA VINHA: VERSÃO ATUALIZADA
Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas, veio a dar uvas bravas?
Isaías 5.4
Há muitos que ainda não perceberam que, no Antigo Testamento, existem cerca de dezoito parábolas. Uma das mais relevantes é a Parábola da Vinha, narrada em Isaías 5, a qual recebe nova roupagem e um redirecionamento claro de foco por parte de Jesus. Amado, Jesus conhecia profundamente a Bíblia que tinha em mãos. No Antigo Testamento, as parábolas são menos frequentes, porém mais densas, quase sempre associadas ao juízo. Veja bem: Jesus não começa algo novo — Ele herda e aperfeiçoa o método. Jesus não inventa as parábolas; Ele as assume como Profeta e as leva à plenitude como Filho. D. A. Carson afirma: “Jesus não cria uma nova forma de ensino, mas fala como os profetas — com imagens que revelam e ocultam.” Ao atualizar a parábola no Novo Testamento, Jesus desloca o foco: não é mais a vinha em si, como em Isaías 5, mas os lavradores, que maltratam os servos (os profetas) e matam o Filho (Cristo). O próprio nome reflete esse deslocamento de ênfase. Em Isaías 5, temos a Parábola da Vinha de Uvas Bravas; nos Evangelhos, surge a Parábola dos Administradores Infiéis. Em termos práticos de aplicação do texto base — “Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito?” — a pergunta permanece atual: o que Jesus já fez por você tem se refletido em fruto de vida? Quando o favor é continuamente desprezado, chega o tempo em que o juízo se manifesta. Matthew Henry acrescenta: “Deus fez tudo o que um cuidador amoroso poderia fazer por sua vinha; se ela falha, a falha é dela, não do dono.” Senhor, o teu ensino é tremendo e maravilhoso; não nos permita negligenciar o que recebemos de ti, para que o teu favor sempre permaneça e jamais o teu juízo nos cerque. Amém.
O PROPÓSITO DO VÉU
E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as rochas.
Mateus 27.51
Meditar sobre o véu — especialmente o véu do templo — é algo teologicamente profundo e significativo. O véu do templo tem seu antecedente no Tabernáculo, embora em proporções muito menores. No templo, esse véu possuía cerca de vinte metros de altura por dez metros de largura, com espessura aproximada de quinze centímetros, ricamente tecido com cordões de várias cores. Na nossa cultura, porém, o véu costuma ser algo pequeno, fino, muitas vezes transparente e frágil. Esqueça esse paralelismo moderno. Biblicamente, o véu não era decorativo; ele representava separação. Separava ambientes no templo e delimitava o acesso à presença de Deus. Na crucificação, esse véu foi rasgado, liberando acesso à sua presença. A vontade de Deus em conceder acesso à Sua presença é tão intensa que o mesmo poder que rasgou o véu foi capaz de fender as rochas dos sepulcros. O véu, cujo propósito inicial era separar e restringir o acesso — já que somente o sumo sacerdote podia entrar uma vez ao ano — perde completamente sua função na cruz. João Calvino afirma que o rasgar do véu significa que a antiga economia cerimonial chegou ao fim e que Deus removeu a barreira que Ele mesmo havia instituído. Aquilo que antes delimitava o acesso agora proclama liberdade. Você tem aproveitado o privilégio do acesso aberto à presença de Deus pelo rasgar do véu? O que poderia ser visto apenas como um elemento do templo tornou-se o sinal definitivo da mudança de dispensação, na qual todos somos sacerdotes diante de Deus. Rasgar de alto abaixo significa que foi Deus quem rasgou e não o homem. O véu não foi aberto, foi rasgado. Deus não deixou espaço para remendos, porque Ele não reforma o antigo sistema — Ele o encerra. Senhor, que eu valorize o acesso aberto à Tua presença, conquistado pelo rasgar do véu. Amém.
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ELP
