
O DILEMA DA DECISÃO (4)
Então, chamando-os, ordenaram-lhes que não falassem, nem ensinassem em nome de Jesus. Mas Pedro e João responderam: Os senhores mesmos julguem se é justo, diante de Deus, ouvir os senhores em vez de ouvir a Deus.
Atos 4.18–19
Talvez você ainda não tenha compreendido plenamente o propósito desta série sobre O Dilema da Decisão. Isso acontece porque é necessário que cada um se coloque no lugar do personagem bíblico para sentir o impacto do contexto da escolha. Pedro e João já haviam sido exortados pelo Sinédrio — a mais alta corte judaica — a não pregarem nem curarem em nome de Jesus. A liderança religiosa daquela época era implacável. Jesus e João Batista já haviam sido mortos pelas autoridades romanas e, ao perceberem que essas mortes aumentavam sua aceitação popular, os líderes do Sinédrio decidiram ameaçar também os apóstolos. Quais riscos Pedro e João corriam? Podemos destacar ao menos quatro: (1) prisão imediata; (2) açoites e castigos físicos; (3) exclusão religiosa e social (excomunhão); e (4) morte indireta, por meio de entrega aos romanos. A inveja dos religiosos foi longe demais. A mistura entre religião e política é extremamente perigosa, pois une os poderes espiritual e humano em um mesmo sistema de controle. E você, como decidiria em uma situação assim? Salvaria sua própria pele ou obedeceria antes a Deus? A história nos mostra que esse mesmo padrão se repetiu em movimentos como as Cruzadas e a Inquisição, onde milhares foram mortos sob o domínio daqueles que exerciam tanto o poder político quanto o religioso. Apesar de todos os riscos, veja o que John Stott afirmou: “A obediência civil tem limites. Quando a autoridade humana se opõe diretamente ao mandamento divino, a desobediência se torna um dever.” E foi justamente isso que os apóstolos fizeram. Eles não apenas declararam sua decisão de continuar pregando, mas afirmaram um princípio eterno: nenhuma autoridade, por mais elevada que seja, pode suplantar o mandamento de Deus. Concluo exaltando a palavra bíblica que atravessou os séculos e continua viva hoje: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.” Amém.
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ELP
