

ATOS DOS APÓSTOLOS
(Informações, de domínio público, pesquisadas e selecionadas de muitas publicações, adaptadas e reorganizadas por Walmir Vieira)
CURIOSIDADES E OUTRAS INFORMAÇÕES
O livro de Atos dos Apóstolos ocupa um lugar especial no NT. Estabelece a ponte entre os Evangelhos e as Epístolas, ao narrar a expansão do cristianismo desde Jerusalém até Roma.
Atos tem 28 capítulos e 1067 versículos, cobrindo cerca de 30 anos de acontecimentos (de 33 a 65 d.C.). Foi escrito em grego koinê, a língua comum do mundo helenístico, o que facilitou a circulação e compreensão da mensagem cristã no Império Romano.
Atos narra a história da chamada “Era da Igreja Apostólica Cristã Primitiva”, mas não se limita a um registro histórico; é também uma obra teológica, missionária e de enlevo espiritual. Oferece um relato detalhado dos eventos que moldaram a igreja primitiva. Arqueólogos e historiadores encontraram evidências que confirmam muitos detalhes geográficos e culturais mencionados no Livro, o que reforça sua credibilidade histórica.
1. A QUESTÃO DO NOME E DO GÊNERO LITERÁRIO DE ATOS
a) O autor não deu título a seu Livro; para ele, era apenas uma continuação (uma segunda parte) do seu Evangelho.
b) Somente quando, no início da organização do Cânon do NT, os Evangelhos foram agrupados em função de similaridade e cronologia, o Evangelho de João foi colocado entre as duas partes do livro. Houve, então, a necessidade de se dar um título ao segundo volume. Isso se deu por volta de 150 d.C.
c) Escritores do século II fizeram várias sugestões para nomear essa obra, como, por exemplo: “O memorando de Lucas” (Tertuliano) e “Os atos de todos os apóstolos” (Cânon Muratori). O nome que finalmente iria consagrar-se (Atos dos Apóstolos) aparece pela primeira vez em documentos do final do século II, mencionado por um dos pais da igreja, Ireneu.
d) A palavra ‘Atos’ denotava, na época, um gênero ou subgênero literário reconhecido no mundo antigo, que caracterisava livros que descreviam os grandes feitos de uma pessoa, um povo ou de uma cidade. Eram livros apologéticos, de exaltação e defesa.
e) No segundo século, foram escritos alguns livros apócrifos (não canônicos) com os seguintes nomes: Atos de Tomé, Atos de André, Atos de João e Atos de Paulo.
f) O título “Atos dos Apóstolos”, portanto, seguiu um costume da literatura helenística, que conhecia obras como os Atos de Anibal, os Atos de Alexandre, entre outros.
g) Talvez, o nome mais apropriado do que “Atos dos Apóstolos” seria “Alguns Atos de Alguns Apóstolos e Líderes Cristãos”, visto que o livro não é um tratamento exaustivo da história de todos os apóstolos, mas apenas de Pedro e Paulo. Possivelmente, nem todos os atos ou feitos destes foram narrados. O apóstolo João aparece na cura do coxo à porta do Templo, como coadjuvante. Além disso, foram narrados feitos de diáconos, evangelistas e de outros cristãos. Entretanto, esse nome seria muito longo.
h) Parece que a intenção dessa segunda parte também foi o registro histórico da difusão do Cristianismo, de Jerusalém até Roma, pela direção e intervenção direta do Espírito Santo.
i) Um título, também adequado, sugerido por muitos estudiosos, poderia ser: “Atos do Espírito Santo”. Discutirei um pouco mais a atuação fundamental do Espírito, no próximo tópico.
2. O LIVRO DAS AÇÕES (ATOS) DO ESPÍRITO SANTO
a) O Espírito Santo é mencionado direta ou indiretamente em quase todos os capítulos do Livro de Atos que, para muitos estudiosos, poderia ser chamado de “Atos do Espírito Santo”, pois é Ele quem dirige a Igreja, escolhe missionários, capacita pregadores e orienta decisões e caminhos a seguir.
b) Embora os apóstolos Pedro e Paulo tenham um papel muito importante no Livro, o verdadeiro protagonista é o Espírito Santo. Desde o Pentecostes (Atos 2), quando desceu sobre os discípulos, é Ele quem passa a conduzir toda as ações determinantes e a fortalecer os cristãos para levarem o Evangelho ao mundo.
c) A promessa feita por Deus ao profeta Joel se cumpriu após a ascensão de Jesus, quando o Espírito de Deus desceu sobre o povo durante a Festa do Pentecostes.
d) Após essa descida, marcada por feitos extraordinários, os cristãos ficaram sobremaneira animados, pois a promessa de Jesus, de que não os deixariam sós, se cumpriria com a presença, permanente e em cada vida salva, do Espírito de Cristo.
e) Os discípulos de Jesus tinham receios do que poderia acontecer a eles por pregarem a nova fé. Após o derramar do Espirito, cheios dEle, tornaram-se corajosos missionários.
f) O Espírito Santo capacitou os apóstolos a testemunharem de Jesus e lhes concedeu ousadia e poder. Além de guiar a igreja em suas decisões e ações, concede dons espirituais aos crentes para edificação do corpo de Cristo. Sem o Espírito Santo, a expansão do Evangelho seria impossível (At 13.2, 15.28, 16.6,7 e 20.22,23).
g) As expressões: Espírito, Espírito Santo, Espírito do Senhor e Espírito de Jesus aparecem 52 vezes no livro de Atos, referindo-se à mesma pessoa. É mencionado nos primeiros e nos últimos versículos do Livro (At 1.2 e 28.25).
3. AUTORIA
a) Enquanto a identidade exata do autor possa ainda ser questionada por uns poucos estudiosos, há, contudo, o consenso de que Atos foi composto por um gentio de fala grega para uma audiência de cristãos gentios.
b) Os Pais da Igreja, Clemente de Alexandria (155-216 d.C.) e Irineu (‘Contra as Heresias’ - 185 d.C.), e a quase totalidade dos estudiosos afirmam que Lucas, de Antioquia da Síria e companheiro de viagem do Apóstolo Paulo, foi o autor dos dois volumes, escritos como um único (Terceiro Evangelho e Atos) e que circulavam sempre juntos até a primeira metade do século II.
c) Documentos antigos, como o Prólogo Antimarcionita (150-180 d.C.) e o Cânon Muratoriano (160-200 d.C.), apontam também a autoria de Lucas.
d) A certeza de que o Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos tiveram o mesmo autor se deve às seguintes razões:
1) ambos são dedicados ao mesmo homem, Teófilo;
2) Atos 1.1 cita “primeiro relato” que, naturalmente, se refere ao Evangelho de Lucas; e,
3) a linguagem e o estilo dos dois volumes são notavelmente semelhantes.
e) Atos contém quatro narrativas na primeira pessoa, frequentemente chamadas de “seções-nós” (16.10-17; 20.5-15; 21.1-18 e 27.1-28.16), que mostram o autor acompanhando Paulo em várias viagens e sendo testemunha ocular de boa parte dos relatos.
f) Dos mais presentes companheiros nas viagens de Paulo, apenas Tito e Lucas não são mencionados nominalmente nessas seções, e Tito nunca foi seriamente considerado um candidato à autoria de Atos.
Portanto, Lucas é tido, quase que unanimemente, como o autor de Atos e do Evangelho que recebeu seu nome. Lucas se mostra um historiador cuidadoso. Seu estilo narrativo é diferenciado, preocupado com a exatidão das datas, locais e personagens, mostrando seu compromisso com a precisão histórica.
4. DESTINATÁRIO
a) Ambos os livros são endereçados a Teófilo, indicando que Atos é o segundo volume de uma obra histórica cuidadosamente organizada (Lc 1.1-4 e At 1.1).
b) O nome Teófilo (Teo = Deus + filo = amigo), significa “amigo de Deus” ou “aquele que ama a Deus”.
c) Teófilo teria sido governador da Acaia, no sul da Grécia, recém-convertido ao Cristianismo.
d) Como havia alguns outros relatos sobre a vida e ministério de Jesus e da igreja nascente, alguns com problemas de precisão, Lucas decidiu escrever o seu, com maior fundamentação e provas, para que a fé de Teófilo fosse confirmada.
e) Tudo, no relato de Lucas, tem como objetivo alcançar o coração dos gentios.
5. QUEM FOI LUCAS
a) Não se sabe muito sobre Lucas antes de sua conversão.
b) As evidências indicam que Lucas era natural de Antioquia da Síria, oriundo de uma família de classe social mais alta e boa formação na cultura helênica (grega).
c) Lucas se converteu pela pregação dos primeiros discípulos de Jesus, provavelmente em Filipos (Grécia). Logo, pertenceu à segunda geração de cristãos.
d) O Apóstolo Paulo informa que Lucas era médico: Saúda-vos Lucas, o médico amado, e Demas (Colossenses 4.14).
e) Além de acompanhar Paulo em quase todas as viagens, Lucas foi com Paulo a Roma, em sua última viagem.
f) Paulo ainda cita Lucas como “cooperador” (Filemon 1.24), e registra que “somente Lucas está comigo”, isto, nos últimos momentos de sua vida (2 Timóteo 4.11). Foi verdadeiramente um companheirão de Paulo.
g) Lucas não foi um Apóstolo de Cristo, mas um ilustre discípulo e de caráter humilde, compassivo e prestativo.
h) A história relata que Lucas, depois da morte de Paulo, retornou à Grécia para ali divulgar o Evangelho. Fixou-se, novamente, na região de Tebas, onde morreu em paz com a idade de oitenta anos, segundo a tradição.
6. FONTES DE PESQUISA DO LIVRO
O autor utilizou várias fontes para escrever o seu Evangelho e o Livro de Atos. No prólogo do Evangelho ele informa suas fontes:
Muitos já se dedicaram a elaborar um relato dos fatos que se cumpriram entre nós, conforme nos foram transmitidos por aqueles que desde o início foram testemunhas oculares e servos da palavra. Eu mesmo investiguei tudo cuidadosamente, desde o começo, e decidi escrever-te um relato ordenado, ó excelentíssimo Teófilo, para que tenhas a certeza das coisas que te foram ensinadas (Lucas 1.4).
a) Já no prólogo de Atos ele diz:
Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera (Atos 1.1,2).
b) Acredita-se que Lucas, ao escrever Atos, não teve acesso à coleção das cartas de Paulo. Mesmo acompanhando Paulo em boa parte de suas viagens, em Atos, Lucas não cita diretamente alguma das epístolas paulinas, nem menciona que Paulo escrevia cartas.
c) Como dito anteriormente, o uso do pronome ‘nós’ a partir de Atos 16 mostra que o próprio Lucas esteve com Paulo nessas ocasiões. Ele não se cita. A sua lembrança como testemunha ocular, juntamente com o contato pessoal bastante próximo do Apóstolo, explica melhor o material de Atos de 16 a 28.
7. DATA DA ESCRITA
a) O Livro de Atos descreve a história da igreja e de alguns apóstolos e outros líderes cristãos e termina com a prisão domiciliar de dois anos de Paulo (provavelmente entre 60 e 62 d.C.), conforme Atos 28.30,31.
b) O Livro não menciona as rebeliões judaicas contra a opressão romana, acontecidas entre 64 e 70 d.C., nem o fato culminante que foi a destruição de Jerusalém (70 d.C.) e a morte dos rebelados e muitos outros judeus.
c) Lucas não menciona as perseguições de Nero (a partir de 64 d.C.), o ministério de Paulo nos anos restantes (depois da sua libertação da prisão) entre 62 d.C. e o ano da morte de Paulo, em 67 d.C.
Portanto, o ano mais provável da escrita do Livro de Atos é 62 ou 63 d.C., ainda que haja outras teorias de a escrita ter acontecido em datas mais à frente.
8. LOCAL DA COMPOSIÇÃO
a) O lugar onde Lucas escreveu o Livro ainda é incerto. A possibilidade cogitada por alguns é que tenha acontecido em Antioquia da Síria, terra natal de Lucas, para onde ele teria retornado, ou em Éfeso, devido as muitas referências à cidade.
b) A hipótese mais aceita é que foi escrito em Roma, uma vez que a história de Atos termina ali, durante o período da prisão domiciliar de Paulo em Roma, entre os anos de 60 e 62 d.C.
9. OS DISCURSOS E SERMÕES DO LIVRO Cerca de um terço de Atos (em torno de 330 dos 1.026 versículos) é composto por discursos (sermões, acusações e defesas) dos apóstolos Pedro e Paulo, além de outros que não eram apóstolos.
1) Os seis discursos ou pregações do Apóstolo Pedro
a) Atos 2.14-40, aos judeus e prosélitos em Jerusalém, no Dia de Pentecostes;
b) Atos 3.12-26, aos judeus em Jerusalém, depois da cura do coxo;
c) Atos 4.8-12, aos governantes e ao Sumo Sacerdote;
d) Atos 5.29-32, defendendo-se por ensinar em nome de Jesus;
e) Atos 10.34-48, a Cornélio, um prosélito e seus amigos em Cesareia;
f) Atos 15.7-12, defendendo a não circuncisão dos gentios, no Concílio de Jerusalém.
2) Os nove discursos do Apóstolo Paulo
a) Atos 13.16-41, aos judeus entre os gentios;
b) Atos 14.14-17, em Listra, refutando a multidão de querer adorar Paulo e Barnabé, por terem curado um paralítico;
c) Atos 17.22-31, aos gentios no Areópago;
d) Atos 20.18-35, em Mileto, aos líderes da Igreja de Éfeso, despedindo-se deles, de viagem para Jerusalém;
e) Atos 22.1-21, ao povo judeu em Jerusalém;
f) Atos 24.10-2I, ao governador Felix;
g) Atos 25.8,10-11, em defesa diante do governador Festo, em Cesareia, apelando para ser julgado por Cesar;
h) Atos 26.2-23, diante do rei Agripa;
i) Atos 28.25-28, aos judeus incrédulos em Roma.
3) Os nove discursos, sermões e falas mais longas de não apóstolos
a) Estevão (Diácono), em Atos 7.2-53, o mais longo de todo o Livro, diante do Concílio Judeu (Sinédrio);
b) Cornélio, em Atos 10.30-33, numa breve explicação;
c) Tiago (meio-irmão de Jesus, líder da Igreja de Jerusalém) em Atos 15.13-21, no Concílio de Jerusalém;
d) Tiago (o mesmo acima) em 21.20-25, falando do conselho a Paulo e os anciãos em Jerusalém;
e) Gamaliel, o fariseu sábio e influente, em Atos 5.35-39, pedindo cautela e esperar em Deus;
f) Demétrio, que montava miniaturas em prata da deusa Ártemis, aos outros que também as faziam, em Atos 19.25-27, incitando-os contra Paulo;
g) Escrivão da cidade de Éfeso, em Atos 19.35-40, que acalmou a multidão revoltada, evitando que algo acontecesse;
h) Tértulo, o advogado que funcionou como promotor de acusação, em Atos 24.2-8, contra Paulo, perante o governador Felix;
i) Festo, o governador, que sucedeu a Felix, em Atos 25.24-27, ao rei Agripa, apresentando o caso a ele, dizendo nada encontrar de ilícito em Paulo.
10. VIAGENS MISSIONÁRIAS DE PAULO
As viagens missionárias de Paulo e seus companheiros marcam a expansão do Cristianismo no livro de Atos. Ele percorreu vastas regiões do Império Romano, principalmente em navios e a pé, enfrentando, nas cidades, perseguições, oposição e riscos de morte, mas plantando igrejas e discipulando novos cristãos.
Estão registradas na segunda metade do Livro. Em quase todas as cidades, usava as seguintes estratégias de ação:
a) Pregação em sinagogas, em praças públicas e em locais onde se reuniam pessoas que tinham algum conhecimento de Deus, mas não do Evangelho de Cristo, como em Filipos, onde conheceram e levaram Lídia, comerciante de púrpura, à conversão.
b) Estava preparado para enfrentar oposição e perseguição, com risco de morte, contando com a proteção de Deus.
c) Buscava elementos culturais nas cidades visitadas que podiam servir de ponte ou analogia para a introdução do Evangelho de Cristo.
d) Plantava uma nova igreja. Para isso, dedicava um tempo de permanência nas cidades para a efetivação dos novos crentes.
e) Revisitava as cidades onde havia plantado uma igreja para consolidá-la e acompanhar o desenvolvimento espiritual e doutrinário dos crentes.
Abaixo, uma síntese do roteiro das cidades visitadas e dos principais fatos que marcaram as viagens.
A primeira viagem
Registrada em Atos 13 e 14, Paulo, Barnabé e João Marcos, enviados pela Igreja de Antioquia da Síria, foram para Chipre e depois para a região do sul da Galácia. Anunciaram o Evangelho em Selêucia, Salamina, Pafos, Perge, Antioquia da Pisídia, Icônio, Derbe e Listra. Enfrentaram oposição e Paulo sobreviveu a um apedrejamento em Listra. Em Derbe, o jovem João Marcos não suportou a pressão e voltou para Jerusalém no meio da viagem. A viagem durou cerca de dois anos, provavelmente entre 46 e 48 d.C.
A segunda viagem
Registrada em Atos 15 a 18, desta vez foram apenas Paulo e Silas, depois da discordância de Paulo com Barnabé para que levassem novamente João Marcos com eles. Durante a viagem uniram-se a ele Lucas e Timóteo. Percorreram cerca de cinco mil quilômetros, cruzando o Mar Egeu e caminhando em boa parte da viagem.
Revisitaram algumas igrejas organizadas na primeira viagem, como Derbe e Listra. Cruzaram para a Europa e fundaram as igrejas de Filipos, Tessalônica, Bereia e Corinto. Foram presos em Filipos, por incitação dos judeus. Na prisão, houve manifestações extraordinárias da natureza que levaram à conversão do carcereiro e sua família. Em Atenas, pregou no Areópago. Em Corinto, ficaram 18 meses, onde conheceram Áquila e Priscila, casal com a mesma profissão de Paulo (fazedores de tenda). Toda a viagem durou cerca de três anos, provavelmente entre os anos de 49 e 52 d.C.
A terceira viagem
Registrada em Atos de 18.23 a 21.16. Saiu de Antioquia da Síria indo para a região da Galácia e passando pela Frígia. Visitou as igrejas organizadas, reforçando sua fé. De lá, Paulo foi a Éfeso, na Ásia Menor (atual Turquia), onde ficou por três anos, edificando a igreja, ensinando na Escola de Tirano e escrevendo algumas de suas epístolas.
Passou em Trôade, onde ministrou ensino aos crentes. Lá ressuscitou Êutico que caíra da janela do terceiro andar. De Mileto, chamou os líderes da Igreja de Éfeso para se despedir, com um discurso de prestação de contas que gerou muita emoção, pois eles não mais veriam Paulo.
Embarcou para Tiro e Cesareia, onde visitou os irmãos. Retornou para Jerusalém. Todo o tempo de viagem, portanto, durou quatro anos (53 a 57 d.C.)
OUTRAS CURIOSIDADES
11) Nome ‘cristãos’. Os seguidores de Cristo receberam, pela primeira vez, o nome de cristãos, em Antioquia da Síria (Atos 11.26).
12) Morte de Judas. O Livro detalha com mais precisão a forma da morte de Judas (Atos 1.16-20).
13) Barnabé. Significa em aramaico: “Bar”, filho e “nabé”, consolação, ‘Filho da Consolação’, uma espécie de apelido que colou nele, pois marcava o forte traço de sua personalidade percebida por quem o conhecia. Seu nome é José. Ele era levita (Atos 4.36).
14) Países e cidades citados. Atos menciona cerca de 32 países e aproximadamente 54 cidades, mostrando a rápida expansão geográfica do cristianismo no primeiro século.
15) O primeiro mártir cristão. Estêvão é assim reconhecido em Atos 7. Seu discurso, como dito anteriormente, o mais longo do livro, apresenta um resumo teológico da história de Israel que culmina na vinda de Jesus Cristo e seu ministério salvífico.
16) Estêvão foi apedrejado por ordem do Sinédrio judeu, com o consentimento de Saulo que, na época, era perseguidor da igreja e segurou as capas dos que mataram Estêvão. A atitude de Estêvão ao morrer se assemelha, em alguns aspectos, à de Jesus em sua morte, principalmente por pedir que Deus não considerasse o pecado dos que o matavam.
17) O primeiro Apóstolo martirizado foi Tiago, filho de Zebedeu (irmão de João), por causa da fé cristã (At 12.2), a mando de Herodes. A tradição informa que todos os apóstolos foram martirizados, menos João, que morreu de causas naturais, com cerca de 90 anos.
18) Judeus e gentios. Atos é o livro da Bíblia que mais menciona as expressões “judeu(s)” e “gentio(s)”. Isso revela o grande conflito e, ao mesmo tempo, a transição do Evangelho ultrapassando as fronteiras étnicas e religiosas.
19) Os irmãos de Jesus. Durante o ministério de Jesus, seus irmãos não creram nEle. Achavam que Ele estava desequilibrado. No entanto, o Livro de Atos mostra que, após a ressurreição de Jesus, todos eles passaram a crer nEle como Messias e, juntamente com Maria, estavam no Cenáculo, esperando pelo Espírito Santo.
Tiago, meio-irmão de Jesus (filho de Maria e José) se tornou um dos líderes da Igreja de Jerusalém e escreveu a carta que leva seu nome. Judas, outro meio-irmão de Jesus, escreveu a pequena, mas profunda Carta de Judas.
20) Atos é o único Livro do NT que descreve os primeiros acontecimentos da igreja cristã. Os Evangelhos focalizam a história de Jesus até a sua morte e ressurreição. Atos registra a ascensão de Jesus e a expansão do Evangelho. As Epístolas e o Apocalipse foram dirigidos a igrejas já formadas, com a inclusão dos gentios. Sem Atos, seria impossível saber de onde e como essas igrejas surgiram. Atos preenche a lacuna entre os Evangelhos e o restante dos livros do NT.
21) Filipe é o único, em toda Bíblia, chamado de ‘Evangelista’ (Atos 21.8).
22) As últimas instruções de Jesus estão relatadas no livro de Atos (1.4-11).
23) Versículo chave. O versículo que resume o Livro é o comissionamento de Jesus, pois segue o processo de expansão e crescimento da igreja:
Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra (Atos 1.8).
24) No Dia de Pentecoste, festa comemorada 50 dias depois da Páscoa, havia em Jerusalém representantes de 16 nações, quando aconteceu a descida do Espírito Santo. Atos 2.5,9-11 relaciona, nominalmente, todas elas.
25) Duas cidades de mesmo nome são citadas em Atos: Antioquia da Síria (At 13.1) e Antioquia da Pisídia (At 13.14).
26) Divisão de Atos (I). O Livro pode ser dividido em duas partes:
a) do capítulo 1 ao 12, onde Lucas relata a história da igreja em Jerusalém, tendo Pedro e João como protagonistas;
b) do capítulo 13 ao 28, onde relata a história do evangelho sendo pregado por Paulo aos gentios.
27) Divisão de Atos (II). O livro de Atos dos Apóstolos também pode ser dividido em três partes:
a) O Espírito Santo operando em Jerusalém (Atos 1 a 7);
b) O Espírito Santo operando na Judeia e Samaria (Atos 8 e 9);
c) O Espírito Santo operando até os confins da terra (Atos 10 a 28, continuando até hoje).
28) Autor gentio. Lucas é o único escritor gentio, autor de dois dos 27 livros do NT.
29) Nome Paulo. A partir do capítulo 13 de Atos, depois que ele invoca sua cidadania romana, além de judaica, Saulo passa a ser chamado somente de Paulo, seu nome romano.
30) Ritual I. O início do Livro de Atos mostra o costume de orar somente no Templo, em horários específicos, mas Jesus havia ensinado que Deus não habita apenas no Templo, mas em cada um de nós e na Igreja, quando reunida. Para os cristãos, o ritual da exclusividade do Templo foi encerrado.
31) Ritual II. Outro ritual importante na vida judaica eram os sacrifícios de animais, mas a morte redentora de Jesus serviu de sacrifício definitivo, acabando com esse costume para os cristãos. Já, no Judaísmo, a prática dos sacrifícios se encerrou depois da destruição do Templo de Jerusalém pelo império romano. Sem o lugar central de sacrifícios (o Templo), eles foram substituídos pelas orações para diversas finalidades e estudo da Torá.
32) Nome de todos os Apóstolos. Somente em Atos os nomes de todos os Apóstolos de Jesus (menos Judas Iscariotes) são mencionados juntos, num só versículo.
Quando chegaram, subiram ao aposento onde estavam hospedados. Achavam-se presentes Pedro, João, Tiago e André; Filipe, Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão, o zelote, e Judas, filho de Tiago (Atos 1.13).
33. PANORAMA GERAL DE ATOS DOS APÓSTOLOS
Capítulo 1
1.1-2: O prólogo
1.3-8: Comissão de Jesus (1.3-8)
1.9-11: Ascensão de Jesus
1.12-14: A congregação primitiva em Jerusalém
1.15-26: A preparação para a promessa
Capítulo 2
2.1-4: O Dia do Pentecostes e o batismo do Espírito Santo
2.5-13: O resultado do batismo
2.14-36: O sermão de Pedro
2.37-41: Os resultados do sermão
2.42-47: Os primeiros dias e as características da Igreja em Jerusalém
Capítulo 3
3.1-26: A cura do coxo proporcionou uma oportunidade de testemunhar.
Capítulo 4
4.1-4: Pedro e João jogados na prisão pelos saduceus por pregarem a Ressurreição.
4.5-12: Pedro diante de líderes religiosos, os acusa da crucificação de Jesus e novamente proclamou a Sua ressurreição.
4.13-18: Pedro e João proibidos de pregar novamente sobre Jesus ou a Ressurreição.
4.19-22: Pedro e João se recusam a deixar de pregar sobre Jesus
4.23-31: A oração de louvor dos que creram
4.32 a 35: Os cristãos repartem seus bens
4.36,37: Barnabé tornou-se um exemplo dinâmico para a igreja primitiva
Capítulo 5
5.1-11: Ananias e Safira foram hipócritas e mentiram ao Espírito Santo e morreram.
5.12-36: Os apóstolos realizam muitas curas
5.37-42: Os apóstolos sofrem resistência da religião judaica
Capítulo 6
6.1-7: Escolha de sete diáconos
6.8-15: A prisão de Estevão
Capítulo 7
7.1-53: O discurso de Estevão perante o Sinédrio
7.54-60 e At 8.1a: O apedrejamento de Estevão e a participação de Saulo.
Capítulo 8
8.1b a 3: A perseguição e a dispersão da Igreja
8.4: A pregação, curas e libertação em Samaria por meio do ministério de Filipe
8.5-25: A história de Simão, o Mago, e a repreensão de Pedro e João
8.26-40: A conversão e batismo do oficial etíope pelo Espírito, usando Filipe.
Capítulo 9
9.1 a 31: A história da conversão do perseguidor Saulo de Tarso
9.32 a 43: A cura de Enéias e a ressurreição de Dorcas (Tabita).
Capítulo 10
10.1-48: A missão de Pedro aos gentios em Cesareia
Capítulo 11
11.1-18: A aceitação dos gentios confirmada em Jerusalém
11.19-30: A formação da igreja em Antioquia e sua ação solidária
Capítulo 12
12.1-23: Perseguição sob Herodes Agripa I
12.24,25: A libertação de Pedro e resumo do crescimento da Igreja
A primeira viagem missionária de Paulo
Capítulo 13
13.1-3: Paulo e Barnabé comissionados pela igreja de Antioquia
13.4-12: Início da evangelização na ilha de Chipre: em Salamina e Pafos. Ali houve a repreensão do mágico Elimas e a conversão do Procônsul Sérgio Paulo.
13.13-52: De Pafos, navegaram para a região da Panfília, onde atuaram nas cidades de Perge e Antioquia da Pisídia, pregando nesta cidade.
Capítulo 14
14.1-28: Evangelização em Icônio, Listra e Derbe
Capítulo 15
15.1-35: O Concílio de Jerusalém e novas diretrizes missionárias
15.36-40: Divergência entre Paulo e Barnabé
A segunda viagem missionária de Paulo
Capítulo 16
15.41 a 16.5: Visita às igrejas fundadas e Timóteo se une a Paulo e Silas.
16.6-10: Visão de Paulo do homem da Macedônia
16.11-15: Conversão de Lídia em Filipos.
16.16-40: Paulo e Silas na prisão e a conversão do Carcereiro de Filipos
Capítulo 17
17.1-34: Evangelização em Tessalônica, Bereia e Atenas
Capítulo 18
18.1-22: Trabalho em Corinto
A terceira viagem missionária de Paulo
18.23: A caminho de Éfeso
18.24-28: O ministério de Apolo
Capítulo 19
19.1-41: O prolongado ministério em Éfeso
Capítulo 20
20.1-5: Viagem à Macedônia, Grécia e retorno à Macedônia
20.6-38: Exortações e despedida de Paulo. Paulo reúne os anciãos de Éfeso em Mileto.
Capítulo 21
21.1-40: A prisão de Paulo em Jerusalém
Capítulo 22
22.1-30: O testemunho de Paulo diante do povo e do Sinédrio
Capítulo 23
23.1-35: Conspirações e proteção divina sobre Paulo
Capítulo 24
24.1-27: O julgamento diante de Félix em Cesareia
Capítulo 25
25.1-27: Em defesa diante de Festo e Agripa, Paulo apela a César
Capítulo 26
26.1-32: Defesa de Paulo diante de Agripa
Capítulo 27
27.1-44: A viagem e o naufrágio de Paulo
Capítulo 28
28.1-14: Paulo em Malta
28.15-31: Prisão domiciliar de Paulo em Roma, por dois anos
O livro de Atos termina abruptamente, com Paulo preso em Roma, aguardando julgamento. Não há nele um final formal. Muitas perguntas ficaram sem respostas, como: o que aconteceu com Paulo e os outros apóstolos?
Paulo passou dois anos em prisão domiciliar em Roma. Não estava livre para andar pelas ruas de Roma, mas a pregação do Evangelho não foi impedida.
” (Ele viveu lá dois anos inteiros às suas próprias custas, e acolheu todos os que vinham a ele, anunciando o reino de Deus e ensinando sobre o Senhor Jesus Cristo com toda ousadia e sem impedimentos.
Atos 28.30,31.
O livro de Atos termina com Paulo em prisão domiciliar em Roma. Embora a Bíblia não registre o que aconteceu após a prisão, se foi condenado ou solto, as cartas de Paulo e a tradição da igreja primitiva oferecem pistas.
Provavelmente, Paulo foi libertado desta primeira prisão romana (Filemon 22; Filipenses 1.19 a 26 e 2.24) e continuou seu trabalho evangelístico por mais alguns anos (Tito 3.12).
Então, com base 2 Timóteo 4.6,7 e na tradição, Paulo foi preso pela segunda vez em torno do ano 66 d.C., consciente de ter cumprido sua missão. Segundo a tradição, foi decapitado em 67 d.C, por ordem do cruel imperador Nero. Por ser cidadão romano, teve morte mais rápida. A tradição afirma que Pedro também foi morto na mesma época, mas por crucificação, por ser judeu, uma morte mais lenta e muito dolorida. Pedro teria pedido para ser crucificado de cabeça para baixo, para não ser igual à do Senhor. Não há confirmação documental quanto a isso.
É possível que Lucas intencionava continuar o relato de Atos. De qualquer forma, muitos entendem que o capítulo 28 em diante é a história da igreja cristã de todos os tempos até nossos dias.
Há uma igreja no Brasil que se autodenominou “Atos 29”. Na verdade, os atos ou feitos realizados pelo Espírito Santo, de todas as igrejas cristãs e de cada cristão, desde a vinda de Jesus até a Sua Segunda Vinda, são a continuação do Livro dos Atos do Espírito Santo, usando a Igreja de Cristo e os filhos de Deus em todo mundo.