
A VERGONHA EM LÍNGUAS
“Fala… em aramaico, porque o entendemos; e não nos fales em hebraico, aos ouvidos do povo que está sobre o muro.”
2 Reis 18.26
Um pouco de contexto para situar melhor a nossa meditação. Nos dias de Ezequias, o reino de Judá estava cercado pela Assíria, representada por Rabsaqué, um estrategista em guerra psicológica. Os que estavam sobre o muro eram responsáveis pela defesa de Judá; não falavam aramaico, mas hebraico. Eliaquim desejava esconder o veredito da nação inimiga para que a notícia de destruição não chegasse aos ouvidos do povo e aumentasse o desespero. Rabsaqué diz, em essência: “Não deixem Ezequias enganá-los, dizendo: ‘O Senhor nos livrará’.” E afirma que nenhum deus das outras nações livrou o seu povo. John N. Oswalt declara que Rabsaqué fala em hebraico porque quer substituir a voz de Deus pela voz do império. O hebraico não é neutro: é a língua da fé, do culto e da aliança. Falar em hebraico era uma tentativa de redefinir quem falava “em nome de Deus”. Você já teve a experiência de ter que ouvir algo de forma pública quando seria mais recomendável ouvir em particular? Os líderes de Judá viviam o constrangimento de receber um ultimato público de uma nação inimiga. Conscientes do peso psicológico das palavras, buscaram poupar o povo do medo e do pânico que poderiam precipitar a derrota antes mesmo do ataque. Por isso, pedem que a conversa se dê em aramaico, a língua da diplomacia, e não em hebraico, a língua do povo. Não se tratava de ocultar a realidade, mas de proteger a fé coletiva num momento de extrema vulnerabilidade. Concluo com a seguinte afirmação: o dia da vergonha começa quando a ameaça é pública, mas termina quando Deus decide quem tem a última palavra. Obrigado, Senhor. Amém.
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ELP
